De acordo com o Dicionário Prático da Língua Portuguesa Aurélio, o espiritismo é definido como "doutrina baseada na crença da sobrevivência da alma e da existência de comunicações entre vivos e mortos".
Tal prática não vem de hoje, e desde os primórdios da civilização as pessoas buscam formas de ter um contato com o sobre-humano, seja através de médiuns, oráculos, magia e outros métodos relacionados ao oculto.
A finalidade para essa busca do sobrenatural são diversas, algumas vezes podem parecer até inofensivas, como por exemplo, a cura de doenças, ganhar na loteria, feitiços para conquistar o amor de uma pessoa, tentar amenizar uma angústia através do contato com um ente querido que faleceu utilizando-se sessões espíritas e muitas outras.
Mas será que tais métodos são tão inofensivos realmente?
Desvendar o desconhecido é um desejo que vem com o ser humano desde o nascimento e diante de um perigo iminente, a primeira reação da pessoa é recorrer a algo que considere ter um poder superior ao seu na busca de ajuda, e muitas das vezes não se apercebe que tal prática está ligada a uma deidade ou espíritos.
O uso do espiritismo para situações cotidianas, saber o que o futuro reserva, receber ajuda em tomar decisões importantes, abrandar ou solicitar favores a entidades ou para a realização de maldades, não é uma prática que ficou restrita as sociedades primitivas do passado, e hoje em dia milhares de pessoas em todo mundo se utilizam desse artifício.
A princípio pode até parecer ser uma prática inocente, mas não podemos esquecer, que o espiritismo também é utilizado para se fazer feitiços contra uma determinada pessoa com a finalidade de adoecê-la ou até mesmo matar.
Como devemos proceder em relação ao espiritismo?
O espiritismo propriamente dito ou outros mecanismos de adivinhação ou de contato com os mortos, como bolas de cristal, cartas de tarô e similares, seja para benefício, diversão ou para fazer o mau, não deve fazer parte da vida de um israelita. Antes mesmo de cogitar a possibilidade de se utilizar de tais artifícios, reflita no seu íntimo através de uma simples pergunta: Estou agradando ou desagradando ao Eterno em participar de tais rituais? O próprio D'us nos dá a resposta a esse questionamento.
A Torah em Vayicrá/Levítico 19:31 deixa claro: "Não vos voltareis para as magias e para as feitiçarias; não busqueis impurificar-vos por elas; Eu sou o Eterno, vosso D'us!" e o capítulo 20 e versículos 6 e 27 do mesmo livro é mais enfáticos ao alertar: "E a alma que se voltar para as magias e para as feitiçarias, errando atrás delas, Eu porei a Minha ira contra aquela alma, e a banirei do meio de seu povo". "E homem ou mulher que fizerem magia ou feitiçaria serão mortos; apedrejá-los-ão; seu sangue recairá sobre eles!".
Percebe-se que a Sagrada Escritura taxativamente proíbe qualquer tipo de atividade que envolva espiritismo, pois a prática da mesma se tornará prejudicial para a própria pessoa. Trata-se de um método que o Todo Poderoso repudia veementemente, como também nos exorta Devarim/Deuteronômio 18:10-14: "Não se achará entre ti quem faça passar seu filho ou sua filha pelo fogo, nem agoureiro, nem prognosticador, nem adivinho, nem feiticeiro, nem encantador de animais, nem necromante ou Yideonita, nem quem consulte os mortos, porque abominável é ao Eterno todo aquele que faz estas coisas, e por causa destas abominações, o Eterno, teu D'us, os desterra de diante de ti. Sê confiante Nele e então estarás com o Eterno, teu D'us. Porque estas nações que hás de herdar ouvem os prognosticadores e os agoureiros; mas quanto a ti, o Eterno, teu D'us, não te permitiu tal coisa".
Isso quer dizer que, embora tais práticas existam e sejam largamente difundidas, trata-se de algo abominável para D'us, e nos exorta andar em integridade com Ele e não enveredar no desconhecido através destes "poderes ocultos" e que estão associados à escuridão.
Pode ocorrer, por uma simples curiosidade ou mesmo uma necessidade extrema, você se sentir atraído ou ficar bastante impressionado por determinados fatos ou situações supostamente miraculosas, e assim, tentado em se utilizar desses artifícios. Mas tenha certeza que isso acontecerá para testar a sua fé. Se isso ocorrer, ignore totalmente e deposite sua angústia e a sua confiança no D'us Único. Não deixe que falsas promessas e ilusões o desoriente, pois incentivos a fazer o que é errado aos olhos do Eterno não faltarão. Yeshayahu/Isaías 8:19, 20 confirma: "Se te disserem: 'Busca resposta entre os magos e os adivinhos que resfolegam e se esganiçam', responde: Não deveria qualquer povo buscar resposta com seu próprio D'us? Deveríamos perguntar aos mortos sobre os vivos? Em busca de instruções e testemunhos? Eles falarão segundo seu mundo de trevas, onde não penetra a luz".
Mas os mortos podem realmente falar conosco?
Não é incomum algum conhecido dizer que conseguiu "conversar" com um ente querido já falecido, seja através de sessões espíritas ou outros meios. Mas será que esse contato foi feito realmente com o espírito do finado familiar ou amigo?
Não, esse espírito ou entidade não era o ente querido já falecido. O Mikrá é bem explícito na resposta a essa questão, como nos informa Cohelet/Eclesiastes 9:5, 10: "Pois sabem os vivos que hão de morrer, mas nada mais podem saber os mortos, nem tampouco há para eles ainda qualquer recompensa, pois até sua recordação já foi esquecida". "O que és capaz de realizar com tua força, faze-o, pois na tumba para onde te diriges não há feitos nem registros, sabedoria ou conhecimento". Assim sendo, os mortos não podem falar conosco de um mundo espiritual ou do além, pois nada podem fazer ou sentir.
Quando alguém falece, este volta ao solo e perecem os seus pensamentos, como deixa claro Tehilim/Salmos 146:4: "Quando seu alento se exala, à terra retorna e nesse mesmo dia perecem os seus desígnios". Bereshit/Gênesis 3:19 complementa: "Com o suor do teu rosto comerás pão; até teu voltar para a terra, pois dela foste tomado; porquanto tu és pó, e ao pó hás de tornar". Ou seja, antes do Eterno criar Adam (Adão) do pó, este não existia. Conseqüentemente, após a morte, ele voltou a um estado de inexistência, ou melhor, de inconsciência total.
Esse contato com entes queridos falecidos, nada mais é do que espíritos que pertencem a escuridão e que fingem ser pessoas que já faleceram para promover a idéia de que os mortos, de alguma forma, ainda estão vivos.
Ou seja, a prática do espiritismo pode até se iniciar como uma curiosidade ou um passatempo inocente, mas a conseqüência desse uso não raro é uma tragédia ou até mesmo a morte.
Sendo assim, a melhor forma para buscar a resposta para os problemas não é através do espiritismo, mas sim o fortalecimento da fé ao se associar com os demais da comunidade israelita a qual você faz parte. E o outro meio e mais importante, recorrer ao Eterno e a sua Sagrada Torah. Ele sim tem a solução para todas as nossas angústias e problemas, conforme nos deixa claro Mishlê/Provérbios 18:10: "O Nome do Eterno é uma cidadela (torre forte) à qual corre o justo e nela se fortifica", e também Shmuel Bet/2 Samuel 22:29, 31, 33: "Porque Tu, ó Eterno, és a minha lâmpada; Tu, ó Eterno, afastas de mim as trevas". "O caminho de D'us é perfeito, a palavra do Eterno é pura; Ele é o escudo de todos os que Nele confiam". "D'us é a minha fortaleza e a minha força, e Ele desembaraça perfeitamente o meu caminho".
Tehilim/Salmos 37:39 completa: "A redenção dos justos vem do Eterno, seu baluarte nos momentos de aflição".
Dessa forma, em qualquer adversidade, angústia ou mesmo se você sentir que a sua fé está um pouco abalada por algum motivo, procure uma palavra amiga ou alguém para ajudá-lo. O moreh da sua sinagoga/comunidade também estará a sua disposição para auxiliá-lo, já que a função deste não é somente fazer conhecer as Sagradas Escrituras, mas também apoio e ajuda à comunidade quando necessário.
Mas não esqueça, que o melhor meio de ficar afastado do espiritismo é manter um canal aberto com o Eterno, através da oração e do contínuo aprendizado da Sua Palavra, vivenciando e aplicando-a no seu dia-a-dia.
Curiosidade
Já que as Escrituras Sagradas condenam a prática do espiritismo, não posso contratar um ilusionista para uma comemoração do meu filho?
Resposta: O problema nesse caso é quando se acredita que aquele ato se entende realmente como mágica, ou seja, quando o apresentador passa a idéia de possuir um caráter sobrenatural e conseqüentemente, as crianças acreditando nesse "poder". Se a apresentação for levada dessa maneira, não é permitida, já que se caracterizaria como magia e levando a idolatria.
Se for um espetáculo, onde se deixe claro que toda a apresentação não passa de um truque, seria lícito, já que as crianças estarão cientes de que não existe nenhum "poder" naqueles atos. Tudo não passa de uma simples brincadeira.
Outros textos do Mikrá para reflexão
Shemot/Êxodo 22:17: "Feiticeira (ou feiticeiro) não deixarás viver".
Vayicrá/Levítico 19:26: "Não augurareis e não prognosticareis".
Divrê Hayamim Bet/2 Crônicas 33:6: "E fez passar seus filhos pelo fogo no vale de Ben-Hinom, e adivinhava, agourava, fazia magia e praticava feitiçarias de ov e ideonitas, fazendo muito de tudo que era mau aos olhos do Eterno, para irá-Lo".
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