JOVENS: FOFOCA: É ERRADO? SE SIM, COMO EVITÁ-LA?

 A sociedade moderna tem se preocupado de uma forma demasiada com as tais "novidades" do momento, ou melhor, com a fofoca em todas as suas variantes. Muitos deixam seus afazeres para ler ou ver a "última" sobre determinado ator ou cantor, se fulano ainda namora sicrano, e por aí vai. Nem é necessário muito esforço para estar "atualizado" com o que acontece com a vida alheia: a um clique na internet tem-se acesso a centenas de sites que espalham informações sobre a vida de celebridades, inclusive reportando assuntos pessoais e íntimos, sejam os fatos expressos verdadeiros ou não.

Mas que mal há nisso? Será que uma simples "curiosidade", a "fofoca do momento" ou o comentário sobre a vida de alguém é tão ruim assim?

Antes de entrarmos no mérito da questão, temos que fazer duas considerações: primeiro, a língua é uma das maravilhas do ser humano, pois através dela podemos nos expressar pelo uso da fala. Segundo, a mesma língua pode se tornar uma verdadeira "arma" de destruição.

Tudo se inicia com um simples comentário, que aos poucos vira uma fofoca e se espalhando de uma forma assombrosa, e quando menos se espera, já se disseminou a discórdia, inclusive com rompimento de amizades, desestabilidade nos laços familiares, ruína de empreendimentos e muitos outros danos. De um simples comentário "inofensivo" pode-se criar problemas sérios e graves, e dependendo das proporções, irreversíveis.

A internet é uma fantástica ferramenta criada pelo homem e que facilita e muito a vida moderna, mas também, tem se tornado o grande vilão na disseminação de fofocas, vide a quantidade de páginas dedicadas a remexer a vida privada das celebridades. Mas nem precisa se chegar a tanto, pois a troca de e-mails ou uma conversa entre amigos no MSN, muitas vezes está recheada de comentários da vida alheia, e é aí que mora o perigo, pois ao se dar brecha para uma "simples" fofoca, você pode transformar a sua vida em um verdadeiro "mar" de intrigas.

Com poucas palavras, mas mal interpretadas ou até mesmo maliciosamente repassadas, a reputação de alguém pode ser manchada, e na grande maioria das vezes, injustamente.

A Torah é bem enfática ao abordar esse assunto. Shemot/Êxodo 23:1 nos alerta: "Não dês ouvido à maledicência. Não acompanhes o mau para servir de falso testemunho". E Vayicrá/Levítico 19:16 completa: "Não andarás com mexericos entre o teu povo".

Antes de nos interessar em saber da "fofoca fresquinha" ou comentar da vida alheia, devemos refletir no que diz Mishlê/Provérbios 15:28: "O coração do íntegro estuda antes de contestar, mas a boca do iníquo derrama (sem hesitar) coisas más".

Com esse texto do Mikrá em mente, uma pergunta extremamente importante se faz necessária e que deve fazer-nos refletir: Será que a mesma "língua" que usamos para fazer as nossas preces, abençoar os alimentos, santificar o shabat e louvar a D'us, também está sendo empregada para fazer fofocas?

Obviamente que não há mal algum em conversas informais, onde obtemos informações úteis, alegres ou edificantes, como por exemplo, saber que um amigo passou para a universidade, que um casal de amigos terá um bebê ou se um de nossos irmãos está precisando de algum tipo de ajuda. Nessas circunstâncias, ficaremos felizes ou prestaremos o devido auxílio. Mas fique alerta, pois uma simples conversa informal, as vezes pode tornar-se uma fofoca.

O ser humano é naturalmente curioso, ou seja, acaba se envolvendo com a fofoca ao observar um determinado grupinho fazendo observações que o interessa ou não, e assim, não resiste a tentação e participa da conversa. Essa "curiosidade" torna-se maior quando há comentários depreciativos sobre outros. Dessa forma, uma simples conversa informal pode se transformar em fofoca e maldosa.

Antes de iniciar uma conversa que pode se tornar uma fofoca, reflita: da mesma forma que estou me ocupando da vida alheia, será que alguém, nesse exato momento está falando sobre mim? E se estiver falando algo negativo? Você gostaria de saber que não estariam falando bem de você ou mesmo fazendo intrigas com o seu nome? Como você se sentiria? Assim sendo, devemos sempre tratar as pessoas da mesma forma que gostaríamos que nos tratassem.

Como proceder em relação a fofoca?
Infelizmente, a maioria das pessoas preferem gastar o seu tempo em se preocupar com os problemas dos outros, ao invés de se ocupar com as suas próprias preocupações. Sendo assim, como devemos proceder para que uma simples conversa informal não se torne uma fofoca? O que fazer se alguém vier para lhe contar algo?

Primeiro, a fofoca não te beneficiará em nada, ou melhor, só prejudicará. Segundo, a fofoca pertence a uma das três classificações de Lashon Hará, que literalmente significa "má língua". Um israelita é terminantemente proibido de ouvir, proferir ou acreditar em Lashon Hará. Ao fazê-lo, está violando os mandamentos da Torah, tais quais: "Não dar ouvido a maledicência e prestar falso testemunho" (Shemot 23:1), "julgar o seu próximo com justiça" (Vayicrá 19:15), "Não ser um fofoqueiro entre o seu povo" (Vayicrá 19:16), "Amar seu próximo como a ti mesmo" (Vayicrá 19:18), "Não profanar o sagrado Nome de D'us" (Vayicrá 22:32), "servir e temer a D'us" (Devarim/Deuteronômio 10:20) e "andar nos caminhos do Eterno, teu D'us" (Devarim 28:9).

Ao darmos margem para a fofoca, deixamos de ser sábios, pois o silêncio é infinitamente melhor do que pecar contra o nosso semelhante e pior, contra D'us, por usar a língua que deveria ter uma utilidade mais edificante. É completamente incompatível usar a língua na adoração do Todo Poderoso e ao mesmo tempo para criar intrigas ou fofocas.

O Mikrá nos adverte: "Quem pronuncia palavras sem conta não evita transgressões, mas aquele que refreia seus lábios é um sábio" (Mishlê 10:19).

Troque o assunto - Fique atento ao que você fala e no que os outros dizem, pois somos racionais e dessa forma, temos a capacidade de perceber quando uma conversa informal está mudando seu rumo para tornar-se Lashon Hará. Nesse caso, tenha atitude firme em trocar de assunto, pois se não o fizer, uma fofoca pode tomar proporções indesejáveis. Se a sua tentativa de mudar o tema da conversa não for bem sucedida, basta se afastar e não participar.

Mas se alguém se aproximar de você para contar-lhe ou buscar fofocas, mude o assunto ou de uma forma amigável deixe claro que não está interessado.

Você é a vítima da fofoca? - Se você foi a vítima da fofoca e por algum meio as informações chegaram até você, primeira coisa: controle seus instintos. É difícil? Muito, mas não impossível. O Mikrá nos ensina que "quem é rápido em irar-se age tolamente" (Mishlê 14:17). Atitudes impensadas podem gerar arrependimentos futuros. E segundo, pondere nas circunstâncias e tente avaliar a situação, pois talvez tudo possa ter sido um mal-entendido. Se necessário, converse amistosamente com a pessoa que gerou esse equívoco, pois dessa forma você estará seguindo o conselho da Torah em Vayicrá 19:15: "não fareis injustiça no juízo; com justiça julgarás o teu próximo". Ao conversar com a pessoa, evite entrar em outros detalhes e mantenha-se no fato que liga você a ela, evitando-se assim novas fofocas. Dessa forma, esclarecerá o ocorrido e evitará um julgamento precipitado e de repente, errôneo.

Melhor forma de prevenir - Mas a melhor forma de se evitar fofocas ou de ser o tema destas é manter uma conduta exemplar. Isso quer dizer que, ao ser um israelita de comportamento exemplar e que observa plenamente as mitzvot (mandamentos de D'us), você não estará dando margem para que boatos ou outros comentários sejam inventados a seu respeito.

Nada o impede de ser um jovem extrovertido, de bom humor, de conversar com amigos pelo Messenger, de se divertir, viajar, surfar, andar de skate, enfim aproveitar plenamente a sua juventude, desde que sua vida seja orientada pelos princípios da Torah, não deixando de cumprir as mitzvot, não negligenciando as orações e bênçãos diárias e principalmente, por ter uma atitude compatível. Essas orientações também são extensivas aos adultos, que devem ter os seus momentos de lazer, mas tendo sempre em mente que a Torah e os ensinamentos do Eterno devem estar em primeiro lugar.

Tendo uma conduta correta e não aceitando o pecado da fofoca em sua vida, estará demonstrando plenamente que faz parte do povo escolhido, como deixa claro a Torah em Vayicrá 20:26: "E sereis para Mim santos, porque santo sou Eu, o Eterno, sou santo, e vos separei dos povos para serdes Meus".

Outros textos do Mikrá para reflexão
Shemot/Êxodo 19:6: "E vós sereis para Mim um reino de sacerdotes e um povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel".

Vayicrá/Levítico 19:18: "Não te vingarás e nem guardarás ódio contra os filhos de teu povo, e amarás o teu próximo como a ti mesmo".

Devarim/Deuteronômio 28:9: "Levantar-te-á O Eterno para Si por povo santo como te jurou, quando guardares os mandamentos do Eterno, teu D'us, e andares por Seus caminhos".

Mishlê/Provérbios 16:28: "O perverso semeia discórdia e o murmurador separa mesmo amigos íntimos".


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